Este livro que você segura ou desliza na tela, com o polegar impaciente do nosso século, nasceu exatamente onde Yakutsk encontra São Paulo: não num mapa, mas na distância entre quem escreve e quem é escrito, entre quem cria e quem, um dia, cria a si mesmo de volta.
Gabriel terminou o manuscrito numa madrugada sem insônia, pela primeira vez em anos. Não porque tivesse resolvido todas as perguntas sobre Masha; mas porque aprendeu finalmente, que algumas personagens não se escrevem até o fim. Elas se acompanham.
Quanto a Masha, segue caminhando entre o frio que a formou e o calor que a acolheu, carregando o crucifixo da avó e a certeza estranha de que, agora, é você leitor, leitora, quem passa a escutar seus passos.
Onde quer que ela esteja no momento em que você fecha esta página, uma coisa é certa: ela sabe que a história continua. Só não é mais apenas dele.
Manoel Candido é engenheiro e um escritor brasileiro dedicado à ficção literária com forte influência de atmosferas míticas e temporais. Sua obra trilógica explora temas como amor verdadeiro, destino e forças cósmicas em cenários que mesclam passado remoto e futuro incerto. Com profundo conhecimento da cultura siberiana e elementos filosóficos universais, Manoel cria narrativas densas que desafiam as fronteiras do tempo.