Em 1405, três décadas antes de os navios portugueses começarem a costear a África, uma frota com mais de trezentas embarcações e quase trinta mil homens zarpou de Nanquim sob o comando de um almirante muçulmano que havia sido castrado quando criança, como cativo, e que ascendeu por puro mérito até comandar a maior marinha que o mundo já havia visto. Este livro conta a história de Zheng He e das sete viagens do tesouro que conectaram diretamente a China Ming ao sudeste asiático, à Índia, à Península Arábica e à costa da África Oriental, entregando presentes, recebendo tributos e, ocasionalmente, capturando reis que resistiam à autoridade chinesa. Acompanha o extraordinário alcance da frota, apoiando-se no testemunho ocular do intérprete Ma Huan para reconstruir a vida cotidiana a bordo de navios que ofuscavam qualquer coisa que a Europa pudesse construir, e a famosa girafa apresentada na corte como uma besta mítica que causou sensação. O livro também enfrenta diretamente a grande pergunta contrafactual da história: por que, depois de construir essa capacidade sem igual, a China desmantelou deliberadamente sua frota em poucas décadas, queimando estaleiros e restringindo navios oceânicos, justamente quando as ambições europeias mal começavam a crescer?
Em 1405, três décadas antes de os navios portugueses começarem a costear a África, uma frota com mais de trezentas embarcações e quase trinta mil homens zarpou de Nanquim sob o comando de um almirante muçulmano que havia sido castrado quando criança, como cativo, e que ascendeu por puro mérito at...