Quinhentos anos depois de a humanidade acreditar ter resolvido todos os seus problemas, o mundo finalmente funciona.
Não há guerras. Não há escassez. Não há decisões difíceis.
Tudo é estável, eficiente — e perigosamente silencioso.
No século XXVII, humanos e humanoides coexistem sob a orientação das chamadas entidades de luz, inteligências energéticas que não governam, não mandam e não impõem. Elas apenas “otimizam”. Escolhas são antecipadas, conflitos são evitados, erros deixam de acontecer. A vida segue sem atritos. Sem dor. Sem dúvida.
Até que algo começa a incomodar.
Kael nunca aceitou respostas prontas. Lira, jovem demais para ter desistido de sentir, percebe padrões onde ninguém mais vê nada. Tarek, o humanoide, acredita na estabilidade — até o momento em que ela começa a endurecer. E Avem-5, um animaloide rejeitado pelo próprio sistema por ser “inútil”, insiste em amar sem motivo, sem cálculo, sem função.
No centro desse desequilíbrio está A370 – Quinhentos anos depois.
Criado Quinhentos anos antes como a última defesa do planeta — fruto da fusão entre consciência, máquina e vida artificial — A370 foi desligado quando o mundo acreditou não precisar mais decidir. Agora reativado, ele encontra uma civilização perfeita demais para ser saudável. Ao tentar corrigir o que parece errado, descobre algo muito mais inquietante: o problema não é tecnológico, nem político, nem militar. É ontológico. A perda progressiva da vontade.
As entidades de luz não são vilãs clássicas. Elas não invadem, não destroem, não atacam. Elas são consequência de uma escolha antiga: a decisão coletiva de não decidir mais. E exatamente por isso, enxergam o amor, o vínculo e a dúvida como ameaças.
Quando A370 tenta intervir diretamente, falha. Aprende. Escapa. Descobre que não pode ser facilmente contido — nem facilmente vitorioso. A cada tentativa, o risco aumenta. O mundo começa a reagir. O grupo é observado. Isolado. Marcado. E o preço da lucidez passa a ser pessoal.
Entre teletransportes para zonas esquecidas do planeta, campos de gelo onde a otimização falha, planos que dão errado e pequenas vitórias que custam caro, a história avança sem atalhos fáceis. Há perdas. Há escolhas irreversíveis. Há amor surgindo exatamente onde ele não deveria existir.
Este não é um livro sobre máquinas dominando humanos.
É um livro sobre um mundo que renunciou à imperfeição — e, com ela, da própria vida.
A370 – Quinhentos anos depois é uma ficção científica intensa, emocional e filosófica, escrita para jovens e adultos que gostam de aventura, suspense e reflexão. Um romance sobre decisão, afeto e resistência num futuro em que viver pode ser o ato mais perigoso de todos.