AS CASAS DOS TRÊS PORQUINHOS: Sobre arquitetura e domesticação

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As casas dos três porquinhos integra a pequena Série constituida de dois livros batizada por 'Arquitetura para crianças', ironicamente enderaçada à arquitetos e professores já maduros. Se no livro A casa de Robinson Crusoé teve por base o pensamento de Jacques Derrida, em seu livro A besta e o soberano II; quando analisou o livro Robinson Crusoé de Daniel Defoe; em As casas dos três porquinhos baseia-se no A besta e o soberano I, quando pôs em pauta a questão da animalidade e das políticas da animalidade, principalmente, na figura do lobo, do lobo em Thomas Hobbes, o lobo como um outlaw, um fora da lei. As casas dos três porquinhos vai aprofundar o tema da civilização e do não civilizado, a arquitetura civilizada e a dita 'não civilizad'a, colocando em pauta uma critica radical a arquitetura, ao arquiteto, frente a grande crise socio ambiental que estamos hoje. Precisava expor essa fábulação como uma das fundações da domesticação e sua implicação com a arquitetura, já nos primeiros anos de vida de qualquer criança impregnando suas cabeças. Para os arquitetos a casa de alvenaria do porquinho Prático representa a civilização; e as Malokas: a não arquitetura, a selvageria.

As pequenas casas dos porquinhos desempenham enquanto símbolo de soberania, a diferenciação entre ricos e pobres; soberanos e bestas, ainda que esse binômio não exista como propôs Derrida. Há todavia uma sinistra faceta da casa dita ‘civilizada’ que será abordada como representação da Cultura como contraposição brutal à Natureza, ao selvagem e bestial condenados pelo cristianismo. Jaques Derrida ao referir-se a questão da animalidade, nas fábulas, em A besta e o Soberano I, concluiria que:“não há nada nelas que não seja teo-zoológico e teo-antropo-zoológico.”

No caso da fábula dos três porquinhos há mais atores além dos animais: aparecem três casas, cada uma pertencendo a um porquinho, desempenhando um papel importantíssimo. A fabulação dos três porquinhos necessitará da hierarquia das tipologias de suas casas para expressar as bases do capitalismo ao articular: trabalho, processo civilizatório, e por consequência domesticação humana. Antecipadamente poderíamos dizer não há nada nessa fábula que não seja ‘arché-teo-antropo-zoológico’.

As casas, cada uma a seu tempo, assinalam a diferenciação na qualidade da produção. Através dessas casas colocarei em ação o papel do trabalho como elemento inerente a religião, principalmente a partir do século XVIII e sua implicação com a moradia. Esse fato é ainda pouco estudado ainda no meio acadêmico por uma série de motivos que se revelarão ao longo dessas páginas. Esse pragmatismo trabalhista que encontramos no porquinho Prático vem a tempos operando na formação das mentalidades das crianças, para induzir-lhes sutilmente o investimento de seu tempo futuro. É a produção e geração desses corpos biopolíticos voltada para o trabalho que tem sustentado este modelo chamado civilização, no qual vivemos. No fundo, ao observar essas três casas estaremos também ante uma velha questão filosófica: ‘quem somos nós?’, e ou, ‘o que fizeram de nós’. Descobriremos que nessa fábula sob a pele de porco dormita personagens de toda espécie, principalmente os que chamaremos aqui de ‘porcos soberanos’. A moral da estória dos três porquinhos inspirou gerações a trabalharem arduamente para o sucesso, na esperança de que o esforço, um dia, as levassem a se tornarem vencedoras ante o lobo mau.

O livro é fartamente ilustrado com Collages de Rufino Becker e do autor.


SUMÁRIO

prefácio 5

porcos soberanos 9

culto ao lobo 57

um lobo além do bem e do mal 75

a casa do cícero 143

a casa do prático 185

devoração 237

o lobo da estepe 257

fábulas 277

referências bibliográficas 283

posfácio 289

o circo 305


© Fernando Freitas Fuão

1a edição 2024

Direitos reservados desta edição

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Capa: Rufino Becker


As casas dos três porquinhos integra a pequena Série constituida de dois livros batizada por 'Arquitetura para crianças', ironicamente enderaçada à arquitetos e professores já maduros. Se no livro A casa de Robinson Crusoé teve por base o pensamento de Jacques Derrida, em seu livro A besta e o so...

About the author

Fernando Freitas Fuão é arquiteto, professor titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS. Autor de diversos Livros: (disponível google play livros)

A casa de Robinson Crusoé (ebook)

A Collage como trajetória amorosa (ebook)

El collage como trajetoria trayectoria amorosa (espanol)

emBRASSAI en le Nuit (Portugues)

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Manual: Como construir e reformar um Galpão de Reciclagem

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