O método transicional visa acabar com a velha divisão entre o que, no jargão da Segunda Internacional, era chamado de “programa mínimo” (consignas que, por si só, não questionam a propriedade capitalista, como aumento de salários, direitos trabalhistas, demandas democráticas feitas direitos políticos ou civis etc.) e “programa máximo”, referido à revolução socialista. Essa divisão é indissociável da própria trajetória da Segunda Internacional, que acabaria relegando o “programa máximo” a um futuro indeterminado e à propaganda, enquanto a prática e a agitação cotidiana se limitava ao “programa mínimo”, uma série de reformas nos limites estabelecidos pelo regime capitalista.
O método utilizado por Trótski, que poderíamos chamar de “transicional”, busca estabelecer uma ponte entre a luta imediata pelas demandas mínimas e democráticas e a luta pelo poder da classe trabalhadora com o papel fundamental das chamadas consignas “transicionais”. O objetivo é articular na luta política, na agitação e, se a situação permitir, na própria ação, as lutas imediatas com a perspectiva de um governo dos trabalhadores e do socialismo. Nas palavras de Trótski, este programa “partindo das condições atuais e da consciência atual de amplas camadas da classe trabalhadora, deve levar a uma única e mesma conclusão: a conquista do poder pelo proletariado”.
O Programa de Transição pode ser considerado como o Manifesto Comunista do século XX, no sentido de que foi o texto chave para o rearmamento programático, político e estratégico do movimento revolucionário da classe trabalhadora, assim como o Manifesto foi no século 19.