O texto começa com um esclarecimento metodológico honesto, no qual Jung avisa que não escreve um artigo científico e usa o termo consciência no seu sentido corrente e mais lato, abrangendo tudo o que está momentânea ou permanentemente representado ou não representado na consciência. Já na sua dissertação de 1902 Jung definira a criptomnésia como uma imagem mnésica que emerge sem ser de imediato reconhecida como tal, desligada do complexo do eu superconsciente e por isso privada das marcas típicas da recordação. Ele insiste em que a criptomnésia não é um acréscimo real de rendimento, mas apenas um enriquecimento do conteúdo da consciência, distinto da hipermnésia, que representa um aumento efetivo de função. O automatismo torna acessíveis à consciência zonas que lhe estavam fechadas, sem que o inconsciente ultrapasse, qualitativa ou quantitativamente, as capacidades da mente consciente. O posfácio mostra como este exame da recordação encoberta preparou o terreno para o estudo dos símbolos herdados e da memória coletiva.
Esta edição apresenta uma tradução moderna e acessível, acompanhada de um posfácio do tradutor que explora os fundamentos filosóficos, o contexto histórico e a relevância das ideias de Jung. O texto foi originalmente publicado na revista Die Zukunft em 1905, e foram introduzidas algumas alterações textuais, incluindo a remoção de gráficos espúrios.