Na lendária Tebas, Creonte, um novo tirano, ordena que sejam dados tratamentos desiguais aos dois irmãos de Antígona. Sua imposição é didática. Se aquele que lutou ao lado da cidade deve receber as honras do sepultamento, o outro, que atacou as muralhas, deve ser jogado no ermo para que sirva de exemplo aos opositores.
A ordem, no entanto, não é aceita por Antígona. Ela se insurge contra o édito, honrando seu irmão, defendendo os ritos sacros devidos aos deuses, pondo em risco sua própria vida, trazendo à tona a herança e a verve da antiga estirpe dos Labdácidas.
Composta por volta de 442 a. C., Antígona é ainda hoje uma peça conturbada e polêmica. É uma tragédia que pontua os limites do poder, o seu lugar e as suas instâncias, e que oferece o espetáculo grandioso da vontade, do sentimento de estirpe, da piedade e da justiça.
SÓFOCLES nasceu em Colono, próximo de Atenas, em 496 a.C. e morreu aos noventa anos. Em sua longa vida, presenciou a ascensão e a queda de Atenas. Apesar de não ser um político ativo, teve diversos cargos no governo, tanto militares quanto civis. Líder de um círculo literário e amigo de Heródoto, Sófocles se interessava tanto pela teoria quanto pela prática poética. Ganhou seu primeiro prêmio literário em 468 a.C. e escreveu mais de cem peças para o teatro de Atenas. Apenas sete de suas tragédias sobreviveram até os dias atuais, mas fragmentos de outras peças chegaram até a modernidade e mostram a amplitude de seu talento.