Esta obra analisa de forma integrada o período histórico brasileiro inserido no contexto mais amplo da Nova República, iniciada em 1985 e vigente até a atualidade. Embora este volume concentre-se especialmente na fase que vai do Plano Real, implantado em julho de 1994, até fevereiro de 2026, é fundamental ressaltar que a Nova República constitui um processo histórico único, contínuo, iniciado com a redemocratização após o regime militar. A divisão entre Volume 6 e Volume 7 desta série ocorre exclusivamente por razões didáticas e editoriais, a fim de permitir maior aprofundamento analítico em cada etapa desse mesmo período histórico.
O ponto de partida desta etapa é a superação da hiperinflação crônica que, nas décadas de 1980 e início dos anos 1990, corroía salários, contratos e a própria capacidade de planejamento da sociedade brasileira. A criação da URV em março de 1994 e a introdução do real em julho do mesmo ano representaram uma ruptura estrutural duradoura dentro da trajetória da Nova República, consolidando as bases da estabilidade monetária.
Nos anos 1995–1998, o livro examina a consolidação inicial dessa estabilidade sob câmbio administrado, juros elevados e abertura econômica, culminando na crise cambial de janeiro de 1999. Esse episódio é interpretado como divisor de águas, pois levou à adoção do câmbio flutuante, do regime de metas de inflação e à consolidação da responsabilidade fiscal, formando o chamado tripé macroeconômico que orientaria a política econômica nas décadas seguintes. A Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada em 2000, é analisada como marco institucional central da maturação econômica da Nova República.
A obra percorre os anos 2003–2010, período em que o Brasil combinou estabilidade monetária com expansão social, destacando políticas como o Bolsa Família, a valorização do salário-mínimo e o acúmulo de reservas internacionais. A crise financeira global de 2008 é apresentada como teste relevante do modelo, cuja resposta anticíclica mostrou eficácia imediata, mas também gerou desdobramentos posteriores.
Entre 2011 e 2014, o texto examina a inflexão da política econômica e seus impactos sobre a credibilidade fiscal e monetária. A crise sistêmica de 2015–2016, com recessão profunda e impeachment presidencial, marca uma ruptura política significativa dentro da Nova República. O período seguinte é caracterizado por reformas fiscais, como o teto de gastos de 2016, e por crescente polarização política.
A análise alcança a pandemia de COVID-19 a partir de 2020, com a suspensão de regras fiscais e expansão do gasto público, além das tensões institucionais que culminaram no ataque às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. A resposta institucional e o debate sobre democracia, desinformação e governabilidade são tratados como elementos decisivos da fase recente. O novo arcabouço fiscal de 2023 é examinado como tentativa de recompor previsibilidade com maior flexibilidade.
Os anexos complementam os capítulos com linha do tempo detalhada, glossário conceitual, mapas mentais, flash cards, questões analíticas e referências bibliográficas, ampliando a compreensão didática e crítica do período. A conclusão reforça que a Nova República, iniciada em 1985 e ainda em curso, preserva a estabilidade monetária conquistada em 1994, mas continua enfrentando desafios estruturais persistentes. A separação em dois volumes não implica fragmentação histórica, mas organização pedagógica de um mesmo processo contínuo, marcado por avanços institucionais, crises recorrentes e uma democracia permanentemente testada.