Charles H. Spurgeon - Sermão - Cristo - Nossa Suficiência

· Divino Cordeiro
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INTRODUÇÃO

Há textos da Escritura que parecem conter um mundo inteiro dentro de poucas palavras. Colossenses 3.11 é um deles. Nele, o apóstolo Paulo coloca diante de nós o eixo da nova criação, o ponto fixo em torno do qual tudo gira, o centro do qual toda verdadeira vida cristã procede e para o qual toda santidade retorna: “Cristo é tudo e está em todos.”

Essa declaração não surge como um ornamento teológico, nem como uma frase elevada para impressionar mentes refinadas. Ela aparece no coração de um argumento profundamente prático. Paulo está tratando de vida santa. Ele combate o pecado, chama o crente à mortificação do velho homem e ao revestimento das virtudes do novo homem. Contudo, ao fazer isso, ele não toma emprestado o chicote do legalismo, nem apela às ameaças de uma religião de mérito. Ele não diz: “Fazei isto e sereis aceitos”, nem: “Não façais aquilo para não perderdes o favor.” Pelo contrário, ele fala como quem sabe estar lidando com homens e mulheres que já foram amados, já foram escolhidos, já foram vivificados. Ele argumenta a partir da graça, porque a santidade cristã não nasce do medo servil, mas da vida recebida, da união com Cristo e da identidade que Deus concedeu aos seus eleitos.

Observe a ordem da graça. Paulo começa lembrando aos crentes que ressuscitaram com Cristo. Isso não é mero consolo, mas fundamento. Se ressuscitaram com Ele, não podem continuar vivendo como se ainda estivessem no sepulcro. Depois, ele declara que a vida do crente está escondida com Cristo em Deus. Isto é, a fonte, a segurança e o destino dessa vida não repousam no eu, mas no Salvador. E, como se isso não bastasse, ele acrescenta a marca pública da nova criação: dentro da igreja, todas as antigas distinções perdem a força decisiva. Nem cultura nem incultura, nem tradição cerimonial nem ausência dela, nem posição social nem origem étnica definem o homem renovado. A única distinção essencial passa a ser Cristo. A nova humanidade tem um só sinal: a semelhança com o seu Cabeça.

É aqui que o texto se torna uma espada e um bálsamo ao mesmo tempo. Ele derruba toda glória humana, e ao mesmo tempo sustenta toda esperança verdadeira. Se Cristo é tudo, então nada em nós pode competir com Ele; e, se Cristo está em todos os seus, então nada fora d’Ele pode ser considerado suficiente.

O Evangelho não é uma associação entre o pecador e o Salvador, como se Cristo viesse completar a parte que faltava ao homem. Essa ideia é velha como o orgulho do coração e tão mortal quanto ele. Cristo não é um remendo na veste da justiça própria. Ele é a veste inteira. Cristo não é uma ajuda ocasional quando o carro atola. Ele é o próprio Caminho, a força que conduz, a mão que sustenta, o fim ao qual se chega.

E isso não é apenas uma palavra para a porta de entrada da fé. É a mesma verdade para todo o caminho. Cristo não é tudo apenas na justificação, enquanto a santificação ficaria entregue às nossas próprias reservas de virtude. Ele não é tudo apenas no começo, enquanto o final dependeria do esforço humano. Ele é o Alfa e o Ômega, o Autor e o Consumador, o fundamento e a coroa. Onde quer que o crente esteja — do primeiro olhar de fé até o último suspiro com esperança — não há um ponto em que ele possa dizer: “Aqui Cristo não basta.” Se Ele falha em algum lugar, então Ele não é Salvador. Mas se Ele é Salvador, Ele o é totalmente.

Este livro-sermão, portanto, não trata de uma doutrina periférica. Trata do coração do cristianismo. Aqui veremos por quem essa verdade é reconhecida, o que ela inclui, o que ela envolve e o que ela exige. Porque, se “Cristo é tudo e está em todos”, então a conclusão é inevitável: a vida do crente precisa revelar Cristo. Não como um nome nos lábios apenas, mas como uma imagem gravada no caráter. Não como um adorno religioso, mas como a própria vida interior manifestada em misericórdia, benignidade, humildade, mansidão e longanimidade.

Que o Espírito Santo, que exalta o Filho e humilha o orgulho do homem, nos conduza por este caminho com reverência e verdade. E que, ao final, não apenas confessemos com a boca que Cristo é tudo, mas sejamos constrangidos a viver de tal modo que outros vejam, em nós, algo do seu amor, da sua pureza e da sua suficiência.

Divino Cordeiro

INTRODUÇÃO Há textos da Escritura que parecem conter um mundo inteiro dentro de poucas palavras. Colossenses 3.11 é um deles. Nele, o apóstolo Paulo coloca diante de nós o eixo da nova criação, o ponto fixo em torno do qual tudo gira, o centro do qual toda verdadeira vida cristã procede e para o ...

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CHARLES HADDON SPURGEON

O Príncipe dos Pregadores

           Spurgeon é amplamente reconhecido como um dos maiores pregadores da história do cristianismo. Seus sermões revelam uma eloquência comparável à de Crisóstomo e uma habilidade literária semelhante à de Agostinho. Possuía a firmeza bíblica e a coragem dos reformadores, bem como a piedade e o zelo dos puritanos, dos quais é considerado o mais célebre herdeiro.

           Nascido em Essex, Inglaterra, em 19 de junho de 1834, era o primogênito de dezesseis irmãos, filho de John e Eliza Spurgeon. Encontrou a salvação em Jesus Cristo entre os anos de 1850 e 1851, durante uma intensa tempestade de neve, ao entrar em uma pequena capela e ouvir um sermão que transformou sua vida.

           Em janeiro de 1852, aos 17 anos, tornou-se pastor da Igreja Batista de Waterbeach, ao norte de Cambridge, e rapidamente ganhou fama como pregador. Sua habilidade de comunicação e profunda compreensão das Escrituras atraíam grandes multidões.

           Em dezembro de 1853, foi convidado a pregar na Capela de New Park Street, a maior igreja batista ao sul de Londres, que mais tarde se tornaria o Tabernáculo Metropolitano. Em abril de 1854, foi consagrado pastor dessa igreja, cargo que exerceu até sua morte, em 31 de janeiro de 1892, aos 57 anos. Durante seu ministério, a congregação cresceu tanto que foi necessário construir um novo templo, com capacidade para seis mil pessoas.

           Além de seu exemplo de vida santa e suas realizações impressionantes, um dos maiores legados de Spurgeon são seus sermões. Neles, encontramos uma união harmoniosa de verdade e piedade, beleza e bondade, luz e calor — e, acima de tudo, encontramos Jesus Cristo. Seus sermões eram publicados semanalmente e distribuídos por todo o mundo, alcançando milhões de pessoas.

           Outro aspecto notável de sua vida é a vastidão e a qualidade de sua obra escrita, comparável à de João Calvino. Spurgeon escreveu cerca de 150 livros e mais de 3.500 sermões. Entre suas obras mais conhecidas estão O Tesouro de Davi, um comentário sobre os Salmos, e Lições aos Meus Alunos, uma série de palestras dirigidas a estudantes de teologia. Também fundou o Colégio de Pastores, que formou centenas de ministros, e o Orfanato Stockwell, que oferecia cuidado a crianças carentes. Era amplamente reconhecido por sua generosidade e dedicação ao bem-estar do próximo, frequentemente doando grandes somas a causas beneficentes.

           Sua saúde começou a declinar na década de 1880, mas ele continuou pregando e escrevendo até o fim. Spurgeon faleceu deixando um legado duradouro, que ainda hoje influencia profundamente cristãos ao redor do mundo.

Divino Cordeiro


CHARLES HADDON SPURGEON O Príncipe dos Pregadores Spurgeon é amplamente reconhecido como um dos maiores pregadores da história do cristianismo. Seus sermões revelam uma eloquência comparável à de Crisóstomo e uma habilidade literária semelhante à de Agostinho. Possuía a firmeza bíblica...

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