Acredito que seja extremamente raro alguém não se surpreender ao observar uma criança brincando. Um carrinho de última geração, um tradicional pião ou um simples fio de barbante e algumas latas vazias são suficientes para que os pequenos se divirtam e criem um universo próprio, utilizando objetos de diferentes materiais, cores e tamanhos. E como esses momentos são marcantes! Ao escrever este editorial, fiz uma breve pesquisa com as pessoas que estavam ao meu redor, e observei que todas elas se lembravam de uma brincadeira, de um jogo ou de uma boneca que fizeram parte de momentos felizes da infância, nos quais puderam interagir com os colegas e descobrir novas maneiras de brincar com a realidade que lhes foi apresentada. Mas o tão divertido ato de brincar das crianças está sendo considerado algo sério pela sociedade. Há algumas décadas, as atividades lúdicas ganharam um respaldo legal, e foram mencionadas, por exemplo, na Declaração dos Direitos da Criança, assinada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1959, e no Estatuto da Criança e do Adolescente brasileiro, de 1990. O artigo 16 do capítulo II deste último, aliás, propõe o direito à liberdade para brincar, praticar esportes e se divertir. Na escola, o ato de brincar, além do caráter lúdico que lhe é atribuído, ganha um sentido pedagógico revelado às crianças por meio de atividades que têm o objetivo de alfabetizar e de ensinar Matemática, por exemplo, ou como forma de promover a socialização e fazer os alunos perceberem a importância do respeito à opinião dos colegas. Como esse tema está cada vez mais sendo discutido no meio acadêmico, nesta edição da Projetos Escolares, apresentamos uma entrevista exclusiva com Adriana Friedmann, co-fundadora da versão brasileira da Aliança pela Infância (Alliance for Childhood). Ao tomar como base uma pesquisa encomendada pela Unilever sobre “A Descoberta do Brincar”, ela esclarece a importância de se trabalhar o lúdico com as crianças, e mostra a relevância da participação familiar neste contexto. Esperamos que você se inspire e utilize, na sua prática escolar, as preciosas dicas que a pedagoga apresenta.
Acredito que seja extremamente raro alguém não se surpreender ao observar uma criança brincando. Um carrinho de última geração, um tradicional pião ou um simples fio de barbante e algumas latas vazias são suficientes para que os pequenos se divirtam e criem um universo próprio, utilizando objetos...