Simone Weil é uma pensadora que vem sendo redescoberta como uma das vozes mais marcantes do século XX. Pacifista militante, ela trabalhou no chão de fábrica para entender o sofrimento do operariado e, além de escrever ensaios político pungentes, ocupou-se de reflexões filosóficas fragmentárias, infundidas pela mística.
Escrito em dezenas de cadernos ao longo de anos e organizado por Gustave Thibon conforme os diferentes temas abordados, O peso e a graça traz anotações que Weil fez para si mesma e que remetem à eudemonia de Meditações, de Marco Aurélio, composto de "exercícios espirituais". É neste livro, por exemplo, que ela desenvolve o que entende por "atenção", e onde defende o ateísmo como uma espécie de purificação na jornada intelectual.
Complexo e paradoxal, o pensamento de Simone Weil transmite a angústia de uma vida breve preocupada com questões existenciais que nos perturbam até hoje.
SIMONE WEIL foi uma filósofa, mística e militante política. Nasceu em Paris, em 1909, em uma família judia, mas sem educação religiosa. Foi uma das primeiras mulheres a estudar na École Normale Supérieure e tornou-se professora em uma escola secundária. Mais tarde, para compreender o sofrimento do proletariado, trabalhou em uma fábrica da Renault. Apesar de pacifista, alistou-se para lutar contra os fascistas na Guerra Civil Espanhola. Faleceu no Reino Unido aos 34 anos, com tuberculose e se recusando a comer, pois defendia que a comida fosse enviada aos franceses que resistiam à ocupação nazista.