Famílias inteiras empurradas pela pobreza a lugares sem as mínimas condições de higiene e saúde, expostas ao perigo. A desigualdade entre ricos e despossuídos. Mulheres sendo exploradas. Uns poucos felizardos que são favorecidos graças a uma série de bons contatos. Essa história é antiga e ainda hoje marca nossa sociedade. Por essas razões e também por sua imensa qualidade literária, O cortiço, de Aluísio Azevedo, continua como um dos mais poderosos retratos da realidade brasileira – em qualquer tempo. Um clássico da nossa literatura que, passado mais de um século de sua publicação original, mantém intacto seu poder de emocionar e indignar.
Aluísio Azevedo nasceu em São Luís, MA, em 1857. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos dezessete anos, instado por seu irmão, o dramaturgo Artur Azevedo. Influenciado por Eça de Queirós e Émile Zola, seria um dos pioneiros do naturalismo na ficção brasileira. Em 1895, ingressa na carreira diplomática, deixando para trás a vida literária e a publicação de livros. Representou o Brasil na Espanha, na França, no Japão, na Itália, no Paraguai e na Argentina, onde morreu às vésperas de completar 56 anos.