Este livro analisou de forma crítica e documentada a ditadura militar brasileira, vigente entre 31/03/1964 e 15/03/1985, destacando sua origem, funcionamento, violência estrutural e legado autoritário. O golpe que depôs o presidente João Goulart em 31/03/1964 resultou de uma combinação de crise política interna, radicalização ideológica, anticomunismo e apoio externo no contexto da Guerra Fria. A deposição foi formalizada pelo Congresso em 02/04/1964, inaugurando um regime autoritário sustentado pelas Forças Armadas.
A consolidação do regime ocorreu por meio dos Atos Institucionais, especialmente o AI-1 (09/04/1964), que permitiu cassações e suspensão de direitos, o AI-2 (27/10/1965), que extinguiu os partidos políticos, e a Constituição autoritária de 24/01/1967. O endurecimento definitivo veio com o AI-5 em 13/12/1968, que fechou o Congresso, suspendeu o habeas corpus e institucionalizou a repressão.
Entre 1969 e 1974, durante os chamados anos de chumbo, a violência de Estado atingiu seu ápice. Órgãos como o DOPS, o DOI-CODI e o SNI praticaram prisões ilegais, tortura, assassinatos e desaparecimentos forçados. A resistência armada urbana e rural, incluindo a Guerrilha do Araguaia (1972–1974), foi esmagada com extrema violência. O período coincidiu com o chamado milagre econômico (1968–1973), marcado por crescimento econômico, arrocho salarial e forte propaganda oficial.
A abertura política iniciou-se sob o governo Geisel em 1974, mas permaneceu limitada e contraditória, como demonstram os assassinatos de Vladimir Herzog em 25/10/1975 e Manuel Fiel Filho em 1976. A revogação do AI-5 em 31/12/1978 não encerrou a repressão. A Lei da Anistia de 28/08/1979 permitiu o retorno dos exilados, mas garantiu impunidade aos agentes do Estado.
No governo Figueiredo (1979–1985), a extrema-direita reagiu à abertura com terrorismo, culminando no atentado do Riocentro em 30/04/1981. A crise econômica e a mobilização popular levaram ao movimento das Diretas Já em 1984, com destaque para o comício da Candelária em 10/04/1984. A derrota da Emenda Dante de Oliveira em 25/04/1984 não impediu o colapso do regime. A eleição indireta de 15/01/1985 e a posse civil em 15/03/1985 encerraram formalmente a ditadura, cujo legado autoritário permanece como desafio à democracia brasileira.