"Fala-se em diversos pontos das nossas províncias, com a seriedade que é
própria a uma arreigada crença, de tesouros enterrados, que os mouros
por aí deixaram, na esperança de voltarem um dia a resgatá-los, e já não
têm sido poucas as escavações empreendidas no ávido intuito de os
descobrir.
Esta mesma noção histórica do povo é a que dá lugar a um
outro frequente facto. Quando, no centro de qualquer aldeia, se eleva um
palácio, um solar de família, distinto dos edifícios comuns por uma
qualquer particularidade arquitetónica mais saliente, ouvireis no sítio
designá-lo por o nome de Casa Mourisca, e, se não se guarda aí memória
da sua fundação, a crónica lhe assinará infalivelmente, como data, a
lendária e misteriosa época dos mouros.
Era o que sucedia com o solar
dos senhores Negrões de Vilar de Corvos, que, em três léguas em
redondo, eram por isso conhecidos pelo nome dos Fidalgos da Casa
Mourisca."
"Fala-se em diversos pontos das nossas províncias, com a seriedade que é
própria a uma arreigada crença, de tesouros enterrados, que os mouros
por aí deixaram, na esperança de voltarem um dia a resgatá-los, e já não
têm sido poucas as escavações empreendidas no ávido intuito de os
descobrir.
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