O episódio é um dos mais decisivos da tradição cristã: diante da multidão reunida em Jerusalém, o povo pede a liberdade do bandido e a cruz para o Nazareno. A Bíblia registra a cena em poucos versículos e segue adiante. Quem era aquele homem? Por que mais de mil guerrilheiros apareceram para gritar o seu nome? Contra quem ele lutava, e o que aconteceu depois que as portas da cela se abriram?
Brincadeira dos Deuses responde a essas perguntas em forma de romance. Isaac Pires Cabral reconstrói a saga de Barrabás desde a infância, acompanha sua entrada nos zelotes, o partido judeu que pegou em armas contra a dominação romana, e segue com ele pela guerrilha, pela prisão e pela libertação em detrimento de Jesus. Pelo caminho, o leitor atravessa as cidades e os povoados citados no Antigo e no Novo Testamento, em um livro rico em informações históricas, geográficas e culturais.
É também um romance sobre impostos, opressão e desejo de revolução. O encontro final entre Barrabás e Jesus na prisão opõe duas ideias de mudança: a que se faz pela luta armada e a que começa dentro de cada um, quando Jesus lhe diz que não se muda o mundo sem antes mudar a si mesmo.
Na apresentação da obra, o editor Antonio Almeida define o livro como um romance saboroso e intrigante, que traz o drama intenso com o ritmo e a sensibilidade da poesia, e diz que o leitor se sente dentro da história. Para o jornalista Fernando Machado, é o livro mais consistente do autor de Embriões Rebeldes e O homem que viu o fim do mundo, obra de um pensador que aponta o dedo para as mazelas sociais e coloca em xeque as crenças religiosas.
São 307 páginas para ler de outro lugar a cena que você acha que já conhece. Comece agora e descubra quem o povo escolheu soltar.
Isaac Pires Cabral é escritor brasileiro, autor dos romances Embriões Rebeldes e O homem que viu o fim do mundo. Em Brincadeira dos Deuses, apresenta ao público o resultado de um longo e incansável processo de lapidação literária: uma obra que amadureceu por anos no plano mental antes de se eternizar no papel, com personagens movidos de um lado para outro como peões em uma misteriosa partida de xadrez, até ganharem vida própria e se rebelarem contra o próprio criador.
Para o jornalista Fernando Machado, o autor é um pensador contemporâneo que aponta o dedo para as mazelas sociais, coloca em xeque as crenças religiosas e desafia corajosamente os poderes constituídos. Para mergulhar nas águas turvas e nebulosas da fé e da política, Isaac Pires Cabral buscou fôlego em seu vasto conhecimento histórico, voltando à tona com cristais e espelhos que refletem a condição humana em todos os níveis da sociedade, dos nobres aos excluídos, em uma história forjada em ouro quente, capaz de resistir à prova do tempo.
O editor Antonio Almeida, que assina a apresentação do romance, descreve o escritor como um autor tinhoso, ladino e diligente, que vem se superando a cada obra: alguém que estuda à exaustão as teorias do fazer literário, os entalhes, os amarrilhos e as manhas do ofício, domina as ferramentas disponíveis e, premido pela sede da própria criatividade, acaba inventando outras.