Atormentada por rostos flutuantes e vozes desconhecidas, a escritora de livros infantis Lise Mundus está convencida de que o marido e a empregada estão armando algo contra ela. Depois de uma tentativa de suicídio, a protagonista acorda amarrada à cama num centro de desintoxicação e é transferida para um hospital psiquiátrico, onde fica por três semanas. Durante o período de internação, ela oscila entre a lucidez e o delírio, e continua a ser importunada por imagens de mulheres com cabeça de burro, uma trama conspiratória e um possível segredo que envolve sua filha. O que é real e o que é invenção? Qual limite, afinal, seu corpo é capaz de suportar?
Um dos trabalhos mais perturbadores de Tove Ditlevsen, Os rostos foi profundamente inspirado nas experiências da autora no sistema de saúde psiquiátrico, e trata de temas que estão presentes em toda a sua produção: o sofrimento mental, as fronteiras entre sanidade e loucura, e o custo — sempre alto — de perseguir sua vocação literária.
"Apesar do horror que retrata, a escrita de Ditlevsen é profundamente humana e sensível. A autora conhece a engenhosidade cruel da mente em moldar a dor aos nossos piores medos." Guardian
TOVE DITLEVSEN nasceu em 1917 num bairro operário de Copenhagen, a capital dinamarquesa. Estreou na literatura com a coletânea de poesia Pigesind, em 1939, aos 22 anos. Uma das grandes autoras de sua geração, publicou mais de trinta livros, incluindo poemas, contos, romances e memórias. Sua obra-prima são os volumes autobiográficos de Trilogia de Copenhagen (Companhia das Letras, 2023). Morreu em 1976.