Mário Quintana já dizia que as respostas são muitas, mas as perguntas são únicas e insubstituíveis. Quando paro para refletir sobre esse pensamento, vejo como valorizo a troca de idéias, o questionamento de padrões e a inquietação das pessoas que não se contentam somente com a realidade apresentada. O ser humano é complexo por natureza, e acredito que, ao longo da vida, existe a tendência de complicarmos – ou aprimorarmos – cada vez vez mais as idéias, as ações, as relações com o outro... No fim das contas, este é um dos fatores que nos fazem tão interessantes: a complexidade. Nesse panorama, a troca de informações e o fato de “concordar ou não com o outro” têm lugar de destaque, pois quem é que não gosta de se sentir desafiado e estimulado a pensar? Acredito que os professores são os representantes máximos do ideal que prima pelo diálogo bilateral e repleto de movimento. Isso porque a educação está recheada de porquês, de descobertas, de impressões sobre deteminado fato... Aqui mesmo, nas atividades da Projetos Escolares, estimulamos os educadores a fotografar as dinâmicas, colher o depoimento dos alunos e promover rodas de conversa, nas quais são valorizados os conhecimentos prévios sobre determinado assunto. Assim, o fato de apresentar idade menor não constitui motivo para menosprezar as crianças. Pelo contrário: a percepção empírica do mundo que elas têm é estimulada e tida como algo a ser levado em conta. Aliás, lembro-me de uma atividade superprazerosa que a minha professora de Língua Portuguesa, lá pelos idos da 2ª série, fazia com a turma: ela apresentava figuras de jornais para que olhássemos e procurássemos interpretar o que poderia ter acontecido naquela cena, e qual seria a reportagem que se encaixaria nela. Logo após, o texto correspondente era lido e promovíamos uma conversa em que, um a um, explicávamos o porquê de termos exposto determinado pensamento. Vejo que, com isso, a mestra deixava implícito que as pessoas têm diferentes opiniões, e algumas se complementam, enquanto outras são conflitantes. No entanto, todas devem ser respeitadas, por ser frutos das experiências individuais de cada um. Assim, sentíamo-nos parte de algo e percebíamos que, mesmo ainda crianças, trocávamos idéias e reafirmávamos, ainda que sem saber, o valor que a curiosidade tem no pensamento de Mário Quintana.
Mário Quintana já dizia que as respostas são muitas, mas as perguntas são únicas e insubstituíveis. Quando paro para refletir sobre esse pensamento, vejo como valorizo a troca de idéias, o questionamento de padrões e a inquietação das pessoas que não se contentam somente com a realidade apresenta...