W. G. Sebald, mais conhecido por seus romances que mesclam de maneira singular a ficção e a memória histórica, esmiúça um tema tabu nesse ensaio polêmico: a dificuldade dos escritores alemães do pós-guerra em lidar com a destruição das cidades do antigo Reich.
As centenas de milhares de vítimas civis, os órfãos sem rumo, as cidades reduzidas a escombros, as legiões de desabrigados vagando pelas estradas, nada disso foi enfrentado de modo convincente na literatura alemã, que, quando tocou no assunto, em geral recorreu a uma estilização estéril ou a uma retórica sentimental e religiosa que acabaram por esvaziar a tragédia.
Sebald não se limita a traçar o diagnóstico dessa grave omissão, mas tenta entender seus motivos, que, ao que tudo indica, têm a ver com o recalque do trauma nazista, com os sentimentos de culpa e humilhação durante o período de frenética reconstrução material do país que ficara em ruínas depois da guerra.
Completa o volume um estudo sobre o escritor alemão Alfred Andersch (1914-80), tomado por Sebald como caso exemplar do intelectual que teria se preocupado mais em reescrever o seu passado e retocar a sua imagem moral do que descrever o que de fato ocorreu durante o Terceiro Reich.
WINFRIED GEORG SEBALD (1944-2001) nasceu em Wertach, região do Allgäu, na Alemanha. Estudou literatura em Freiburg e depois radicou-se na Inglaterra, lecionando em Manchester entre 1966 e 1970. Ingressou na Universidade de East Anglia em seguida. Dele, a Companhia das Letras publicou Austerlitz, Os emigrantes, Vertigem, Os anéis de Saturno e Guerra aérea e literatura.