Silvina Ocampo e Adolfo Bioy Casares escreveram Os que amam, odeiam em Mar del Plata, em pouco mais de um mês, no verão de 1946. Ficaram na praia até o fim da estação, quando já quase não havia ninguém, e ali iniciaram e terminaram o romance.
Na história, uma pessoa é envenenada e outra desaparece em um solitário hotel à beira‐mar. O dr. Humberto Huberman, médico homeopata recém-chegado ao balneário em busca de descanso, vê-se envolvido em uma trama de vinganças, amores não correspondidos e paixões exacerbadas pela tempestade de vento e areia que, durante quatro noites, confina os hóspedes no hotel. O sufocante isolamento traz à tona o melhor e o pior de cada um, levando as relações ao limite. Todos são suspeitos. Criado por dois dos maiores autores do século vinte, Os que amam, odeiam é um romance inquietante que combina mistério, ironia e a precisão literária digna dos grandes mestres da ficção policial. Um clássico do gênero.
SILVINA OCAMPO nasceu em Buenos Aires, em 1903. É uma das mais influentes autoras do continente. Na juventude, estudou desenho e pintura em Paris com Giorgio de Chirico e Fernand Léger. Em 1935, conheceu Adolfo Bioy Casares, com quem se casou em 1940. Entre suas obras, se destacam os contos de Viaje olvidado (1937), Autobiografia de Irene (1948), A fúria (1959) e As convidadas (1961), os dois últimos publicados pela Companhia das Letras. Morreu em Buenos Aires, aos noventa anos.
ADOLFO BIOY CASARES nasceu em Buenos Aires, em 1914. A invenção de Morel (1940) marcou o início de uma vasta carreira literária que se desenvolveu no conto, no romance, no ensaio, no diário e em trabalhos em colaboração. Entre seus principais livros estão O sonho dos heróis (1954), Diário da guerra do porco (1969), A trama celeste (1948), Plano de evasão (1945), História prodigiosa (1956) e Dormir ao sol (1973). Recebeu os prêmios Alfonso Reyes, Cervantes, entre outros. Morreu em Buenos Aires, aos 84 anos.