O Castelo completa a mensagem das obras anteriores Vida e Caminho. De maneira mais discreta, sob o véu do anonimato, Teresa cria belíssimas metáforas para descrever as próprias experiências místicas, que interpreta à luz da Escritura. Logo nas primeiras páginas, ela nos apresenta a imagem que dá título ao livro: a alma é como um castelo de diamante com sete moradas (os sete estágios da vida contemplativa). A porta de entrada desse castelo é a oração, através da qual Nosso Senhor introduz a alma nas primeiras moradas e guia-a através das seguintes até chegar às sétimas moradas, onde ela alcança a perfeita união com Deus.
Também conhecida como Santa Teresa d’Ávila, Teresa nasce em 1515, na província de Ávila, Espanha. Aos vinte anos de idade, decide tornar-se religiosa contra a vontade do pai. Foge de casa e ingressa no mosteiro carmelita de Nossa Senhora da Encarnação. Durante três anos, padece de uma enfermidade grave e desconhecida. Chega a ser desenganada pelos médicos, mas se recupera de maneira inexplicável. Em seguida, atravessa um longo período de aridez espiritual ao fim do qual mergulha profundamente na vida de oração. Passa a receber graças extraordinárias, que infundem nela um imenso amor a Deus. Numa dessas ocasiões, entra em êxtase e vê um anjo a lhe transverberar o coração com uma seta de fogo. Por volta dos seus 47 anos, deixa o convento da Encarnação para fundar o Carmelo de São José, onde abraça todo o rigor original da Regra carmelita. Nessa altura, dá início à sua missão como fundadora andarilha. Viajando em carroça ou lombo de mula, abre dezessete mosteiros femininos e, com a ajuda de São João da Cruz, quinze conventos masculinos, além de reformar outros tantos. Morre em Alba de Tormes, aos 67 anos de idade. Em 1970, é proclamada Doutora da Igreja.