A obra está estruturada em três livros e descreve simbolicamente a "subida" como o percurso árduo da alma que busca desprender-se de todos os apegos — materiais, emocionais e espirituais — para alcançar o cume da perfeição espiritual. São João da Cruz utiliza a imagem do Monte Carmelo como metáfora do caminho da fé, no qual o crente deve esvaziar-se de si mesmo ("nada, nada, nada") para que Deus possa agir plenamente em sua interioridade.
O autor explica que a purificação ocorre em duas fases: a noite dos sentidos, em que a alma se desapega das coisas terrenas, e a noite do espírito, em que renuncia até mesmo às consolações espirituais para viver na pura fé. O processo, embora doloroso, é apresentado como indispensável para atingir a união transformadora com Deus, um estado de paz e plenitude que ultrapassa todo o entendimento humano.
São João da Cruz (1542–1591) foi um místico, poeta e reformador da Ordem do Carmo, considerado um dos maiores escritores espirituais da tradição cristã. Em sua obra — que inclui também Cântico Espiritual e Noite Escura da Alma —, ele combina profundidade teológica com uma linguagem poética de rara beleza, expressando a jornada interior do ser humano em busca da presença divina. Sua visão influenciou profundamente a espiritualidade ocidental e permanece como um guia atemporal para quem busca a união com o transcendente.
São João da Cruz foi um poeta místico e frade carmelita espanhol, considerado uma das figuras mais importantes da literatura espiritual e da mística cristã. A profundidade de sua poesia e de seus escritos teológicos o tornou um dos maiores representantes do misticismo ocidental, ao lado de Santa Teresa de Ávila, com quem colaborou na reforma da Ordem do Carmo.
Após conhecer Santa Teresa de Ávila, uniu-se à reforma carmelita, que buscava restaurar a simplicidade e o rigor da vida monástica. A reforma enfrentou resistência, e João chegou a ser preso por seus companheiros de ordem. Durante esse período de reclusão, escreveu alguns de seus poemas mais célebres, marcados por uma profunda experiência interior e mística.
A escrita de São João da Cruz combina lirismo e teologia, unindo emoção e razão espiritual. Sua visão da "noite escura da alma" tornou-se uma metáfora universal para os momentos de provação e transformação interior. Morreu em Úbeda (Jaén) em 14 de dezembro de 1591, provavelmente em consequência de erisipela (complicações de uma ferida na perna).