O segundo livro de Rui Couceiro, autor de Baiôa sem data para morrer
Após a perda do pai alcoolista e o abandono da mãe quando tinha apenas sete anos, Beta é criada pela avó, com quem constrói um laço que molda sua visão da realidade e da vizinhança modesta do Morro da Pena Ventosa, o bairro mais antigo da cidade do Porto.
Ao longo dos anos, ela desenvolve um hábito peculiar: anotar os acontecimentos do cotidiano da comunidade para depois comentá-los com a avó. Quando a matriarca morre, Beta decide seguir escrevendo como forma de homenageá-la e, ao mesmo tempo, lidar com o luto. Ela descreve monumentos e referências históricas e culturais, aproveitando seu trabalho como guia turística, e os misturam às fofocas do bairro e às histórias mirabolantes de cada personagem que habita as ladeiras estreitas da Pena Ventosa.
Com profundidade, leveza e uma sutil pitada de realismo mágico, Rui Couceiro lança uma luz atual e sensível sobre essa vizinhança tipicamente portuguesa e pitoresca — e sobre a luta de seus moradores para preservar a identidade do lugar diante da gentrificação e do turismo predatório.
Lírico, tocante e bem-humorado, O morro da Pena Ventosa é uma declaração de amor às histórias que atravessam gerações, às memórias que moldam quem somos e à resistência de quem luta para manter viva a alma de um lugar.
Rui Couceiro nasceu no Porto, em 1984. É licenciado em Comunicação Social, pós-graduado em Estudos Culturais e mestre em Ciências da Comunicação. Foi campeão nacional de voleibol em todos os escalões de formação e considera que o desporto foi a sua principal escola. Durante a adolescência, decidiu que queria ser jornalista e, aos quinze, começou a carreira em uma rádio local, tendo passado também pela TV e pela imprensa. Atualmente, é colunista da revista Visão. É editor na Bertrand, em Portugal, à frente do selo Contraponto. É também, desde 2021, membro do Conselho Cultural da Fundação Eça de Queiroz.