Escrever é um gesto simples — e, ao mesmo tempo, uma das tarefas mais complexas que alguém pode assumir. Entre a primeira leitura que nos transforma e a primeira frase que ousamos escrever existe um território movediço, povoado por dúvidas, desejos e forças históricas que moldam aquilo que chamamos de literatura.
Combinando ensaio, crítica literária e uma espécie de pedagogia da imaginação, Roberto Taddei parte de uma pergunta aparentemente modesta — como alguém passa do lugar de leitor para o de autor? — para construir uma reflexão ampla sobre liberdade criativa, consciência formal e autonomia. A partir da leitura de textos de Virginia Woolf, Clarice Lispector, Anton Tchekhov, Jorge Luis Borges, Alice Munro, J.M. Coetzee, Geovani Martins, Cidinha da Silva e outros autores, ele mostra como a literatura é atravessada por gênero, classe, raça, história colonial e tradição, e como cada escritor, ao escrever, negocia com essas forças para criar algo que seja verdadeiramente seu. Sem condescendência nem simplificação, uma reflexão sobre o que pode a literatura hoje, e sobre o que pode cada um de nós quando decide transformar sua própria experiência em linguagem.
ROBERTO TADDEI nasceu em São Paulo, em 1975. É mestre em escrita criativa pela Universidade Columbia. Escritor, tradutor e jornalista, publicou os romances "Terminália" (2013), "Existe e está aqui e então acaba" (2014) e "A segunda morte" (Companhia das Letras, 2023), além do livro de poemas "Essa música não é minha" (2019). Coordena a pós-graduação Formação de Escritores no Instituto Vera Cruz.