No crepúsculo do século XIX, os impérios europeus consideravam um axioma inquestionável que a supremacia sobre os oceanos do mundo era um monopólio exclusivo da civilização ocidental. Essa ilusão de invulnerabilidade evaporou-se em poucas horas nas águas tempestuosas do Estreito de Tsushima, em maio de 1905, quando a armada do Império do Japão aniquilou a Segunda Esquadra do Pacífico russa. Contudo, o verdadeiro drama dessa batalha monumental não começou no choque dos canhões pesados, mas sete meses antes, nos portos gelados do Mar Báltico. Ao longo de dezoito mil milhas náuticas — uma distância equivalente a quase três quartos da circunferência da Terra —, o vice-almirante Zinovy Rozhestvensky conduziu uma frota sobrecarregada, tecnicamente heterogênea e psicologicamente exausta através de três oceanos. Sem uma única base naval própria entre a Europa e a Ásia, a esquadra czarista sobreviveu graças a um pesadelo logístico sem precedentes: o carregamento manual de montanhas de carvão em mar aberto sob o calor sufocante dos trópicos. O excesso de combustível empilhado nos conveses afundou as cintas de blindagem dos encouraçados sob a linha d'água, enquanto cracas e algas marinhas colonizavam os cascos, reduzindo a velocidade dos navios a um ritmo desolador. Do escândalo diplomático no Dogger Bank à letargia asfixiante em Madagascar, a marcha russa foi uma lenta procissão rumo ao abismo. Nas águas estreitas entre a Coreia e o Japão, o almirante Tōgō Heihachirō aguardava com uma força letalmente preparada. Com navios impecavelmente carenados, artilharia de tiro rápido alimentada pela pólvora explosiva Shimose e uma doutrina tática apurada, Tōgō realizou a clássica manobra de cruzar o 'T' da linha de batalha russa. O resultado foi um massacre fulminante que afundou vinte e um navios czaristas e custou mais de cinco mil vidas. O Estreito de Tsushima combina investigação histórica rigorosa e narrativa vibrante para desvendar os bastidores operacionais, tecnológicos e humanos do confronto que desencadeou a Revolução Russa de 1905 e inaugurou a era do encouraçado moderno.
No crepúsculo do século XIX, os impérios europeus consideravam um axioma inquestionável que a supremacia sobre os oceanos do mundo era um monopólio exclusivo da civilização ocidental. Essa ilusão de invulnerabilidade evaporou-se em poucas horas nas águas tempestuosas do Estreito de Tsushima, em m...