sistemas de inteligência artificial (IA) no exercício de funções judiciais públicas, em particular
no auxílio do Juiz e/ou do Tribunal.
Tal opção - como demonstra a presente obra coletiva - encontra abordagens distintas
em Portugal e no Brasil, revelando diferentes níveis de desenvolvimento e de implementação
e, por consequência, desafios singulares para a ciência jurídica em razão dos
particulares sistemas de IA usados nos Tribunais e ainda das tarefas selecionadas para a
mobilização de tais sistemas.
Adicionalmente, os quadros jurídicos nestes dois países encontram-se em diferentes
estádios de maturação, enquanto em Portugal se impõe a consideração direta do Regulamento
europeu sobre IA (Regulamento Inteligência Artificial), já no Brasil encontra-se em
discussão legislativa um novo quadro jurídico que, apesar de tudo, não deixa de refletir
muitas das soluções plasmadas no Regulamento Inteligência Artificial.
Destarte, uma obra coletiva sobre o uso de IA nos Tribunais em Portugal e no Brasil na
perspetiva jurídica revela-se muito oportuna, atual e útil, desde logo, de modo a compreender-
se o estado-da-arte do uso de IA pelos Tribunais em cada um dos referidos ordenamentos
jurídicos, e ainda os desenvolvimentos dogmáticos da ciência jurídica destes dois
países em temas como os direitos fundamentais, a prova, o juiz-algoritmo, a responsabilidade
civil, etc.
Professor Titular da Universidade Federal do Paraná. Presidente da Associação Brasileira de Direito Processual Constitucional. Vice Presidente Honorário da International Association of Procedural Law.
Doutor em Direito Público pela Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa. Investigador Integrado do Lisbon Public Law Research Centre (LPL) da Faculdade de Direito da Universidade Lisboa.