Grande épico da vida rural, cujo imediato e enorme sucesso internacional foi em grande medida responsável pela atribuição, três anos depois da sua publicação, do prémio Nobel ao autor, Os Frutos da Terra representa um dos cumes da produção literária de Knut Hamsun.
Exortando o retorno do Homem a uma vida salutar e simples em comunhão com a Natureza como único remédio para eliminar a degradação causada pela modernidade e pelo progresso, Hamsun oferece ao leitor uma das personagens mais fascinantes da história da literatura: Isak, homem rude e sem passado, intrépido pioneiro, estabelece-se na terra inóspita e selvagem do norte da Noruega, onde constrói com o esforço do seu trabalho uma quinta, a Sellanraa, e funda, juntamente com a sua mulher Inger, uma família e um modelo de vida ideal, que será ameaçado pela chegada de outros colonos.
Os elogios da crítica:
«Hamsun é o maior escritor de todos os tempos.» Thomas Mann
« Os Frutos da Terra está entre os melhores romances que alguma vez li. Inteiramente belo, impregnado de sabedoria, de humor e de sensibilidade.» H. G. Wells
«No princípio era a terra: um épico da vida rural, uma saga familiar que defende o regresso à vida campesina.» Público
Prémio Nobel de Literatura pela sua monumental obra, Os Frutos da Terra . Knut Hamsun (1859-1952), escritor norueguês, no ano em que lhe foi atribuído o prémio Nobel de Literatura, em 1920, era provavelmente o mais influente autor europeu. Thomas Mann, André Gide, Máximo Gorki, Franz Kafka ou o jovem Hemingway contavam-se entre os seus incondicionais admiradores. O uso que fez da subjectividade e do monólogo interior, aliados a um forte lirismo e a temáticas absolutamente inovadoras à época, fizeram de romances como Fome (1890), Mistérios (1892), Pan (1894) ou Victoria (1898) obras-primas e marcos no início da modernidade na literatura. Mestre inovador do romance psicológico, com a viragem do século, Hamsun prefere abordar temáticas sociais e históricas mais vastas, oferecendo nas suas obras uma particular visão do mundo, que se consubstancia numa crítica feroz à modernidade e ao progresso, considerados fontes da degradação do Homem, exortando, pelo contrário, o retorno deste a uma vida simples e salutar, em comunhão com a natureza. Máximo exemplo desta viragem é a publicação do romance Os Frutos da Terra (1917), cujo enorme sucesso numa Europa pós-bélica valeu em grande medida ao autor a atribuição do prémio Nobel. A seguir a este, a sua carreira literária prolongou-se por maistrinta anos, destacando-se deste período sobretudo a trilogia constituída pelos romances Landstrykere (1927), August (1930) e Men Livet Lever (1933). Figura controversa, Hamsun conheceu tanto a glória literária quanto, no final da sua vida, o mais aceso repúdio dos seus contemporâneos, o qual se ficou a dever às simpatias do autor pelo regime nazi e apoio público ao governo fantoche formado após a ocupação da Noruega. Uma vez terminada a guerra, tais posições valeram-lhe o julgamento por traição. A sua provecta idade salvou-o de uma condenação à pena capital, mas não da confiscação de todos os seus bens e do isolamento social. Acabaria os seus dias na mais completa pobreza. As suas Obras Completas, reunidas em 15 volumes, seriam publicadas em 1954, dois anos após a sua morte.