Este romance turbulento e original tem apenas um personagem. Des Esseintes é um aristocrata doente e em decadência que, ao se refugiar no campo, entrega-se à luxúria e ao excesso. Oscilando entre a inquietação e a debilidade, ele satisfaz seu apetite estético com literatura clássica, arte, joias exóticas, perfumes caros e um caleidoscópio de experiências sensuais.
Às avessas, nas palavras do autor, caiu "como um meteorito" no cenário literário de sua época, e seu status de obra cult só fez aumentar ao longo do tempo. Inaugurando na literatura um novo caminho que leva em linha direta ao romance experimental do século XX, Às avessas, de J.-K. Huysmans, é menos o manifesto de um certo esteticismo do que um grito de socorro frente à maré da banalidade dominante.
"Bebia esse líquido perfumado em porcelanas da China, chamadas casca-de-ovo, de tão diáfanas e leves, e assim como não admitia senão tais adoráveis xícaras, só se servia, em matéria de talheres, da autêntica prata dourada."
Joris-Karl Huysmans nasceu em Paris em 1848, filho único de pai holandês e mãe francesa. Depois de uma infância marcada pela morte do pai e pelo segundo casamento da mãe, tornou-se funcionário administrativo do Ministério do Interior, onde trabalharia durante 32 anos. Além de Às avessas, publicou os romances Marthe (1876), Les sœurs vatard (1879), En ménage (1881) e A vau-l'eau (1882). Faleceu em 1907.