Papel velho tem cheiro de coisa guardada. Mathieu Delacroix aprendeu isso aos onze anos, no sótão da casa da avó em Namur, quando abriu uma caixa de sapatos e encontrou cartas que ninguém na família mencionava — e entendeu, sem que ninguém precisasse dizer em voz alta, que algumas verdades não são guardadas por mentira, mas pelo simples silêncio. Vinte e sete anos depois, ele ainda carrega esse cheiro consigo. Hoje autenticador de documentos, trabalhando até tarde num escritório frio e encharcado de chuva em Bruxelas, Mathieu construiu uma carreira lendo o que o corpo de um documento revela além das palavras: a espessura da fibra, o jeito como a tinta envelhece na borda de um traço, o tremor de uma mão que copia em vez de criar. Ele sabe distinguir o que é genuíno do que só parece ser. "O Leitor de Costuras" é um romance histórico-literário sobre memória, herança e o trabalho silencioso de desenterrar o que famílias — e a própria história — combinaram nunca dizer em voz alta.
Papel velho tem cheiro de coisa guardada. Mathieu Delacroix aprendeu isso aos onze anos, no sótão da casa da avó em Namur, quando abriu uma caixa de sapatos e encontrou cartas que ninguém na família mencionava — e entendeu, sem que ninguém precisasse dizer em voz alta, que algumas verdades não sã...