• Ortografia e pontuação modernizadas.
Ao fim de dois dias de viagem por montes e vales até à aldeia onde vive a tia, o jovem e sofisticado Henrique de Souselas está capaz de mandar ao diabo o médico que lhe garantiu que no campo estava a cura dos seus males de melancolia. Mas no primeiro dia que passa na aldeia começa a vislumbrar jovens encantadoras que o despertam para os encantos da vida rural.
A obra mais elaborada do médico do Porto Joaquim Guilherme Gomes Coelho, de pseudónimo Júlio Dinis, é sem dúvida A Morgadinha dos Canaviais. A intriga sentimental tem protagonistas menos convencionais que os outros romances do autor e o pano de fundo histórico seduz-nos ainda. A memória da extinção das ordens religiosas, as eleições e os caciques, a questão dos cemitérios, a corrupção venal, a figura do Brasileiro ou o retrato do ensino, mas também a tradição das janeiras e dos autos de Natal, tudo dá vivacidade a este romance que continua a encantar-nos e cujos valores não se afastaram de nós como os de muitos outros autores do mesmo período.
A edição que aqui apresentamos tem ortografia atualizada pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 2009. Foram corrigidos erros de concordância e a pontuação foi modernizada, de forma que o livro de Júlio Dinis possa ser lido com todo o conforto de uma edição moderna.
Júlio Dinis é o pseudónimo literário de um médico do Porto, Joaquim Guilherme Gomes Coelho, que viveu entre 1839 e 1871. O pai foi um cirurgião de Ovar e a mãe, de ascendência inglesa, morreu de tuberculose, como viria a acontecer com o filho. Além de contos e poesia, escreveu quatro romances, todos com uma visão optimista da vida, sobretudo rural, o que explica que a sua popularidade chegue aos dias de hoje.