Um jovem oficial conhece Fosca, prima do coronel: doente, de rara fealdade, mas dotada de uma sensibilidade aguda e de uma cultura refinada. Fosca sabe exatamente o efeito que sua aparência provoca e, mesmo assim, é ávida por amor. Todo o amor, sem medida e sem trégua. O que começa como piedade vira fascínio, o fascínio vira prisão, e o oficial descobre que uma paixão pode ser mais forte do que a beleza, do que a razão e até do que a vontade de viver.
Antes dele, houve Ludovico: um caçador de dotes, jogador e chantagista, apresentado a Fosca de boa fé pelo próprio primo. Ludovico levou tudo o que ela e a família tinham e a abandonou grávida. O corpo enfraquecido pela doença não sustentou a gestação. Do que restou dessa mulher nasce uma das personagens mais perturbadoras já escritas sobre o amor obsessivo, a mesma que Ettore Scola levaria ao cinema em Passione d'Amore.
Esta edição em português nasceu de uma obsessão parecida com a do livro. O tradutor Jorge Wilson Simeira Jacob chegou ao romance pelo filme de Scola, leu o original no italiano do século XIX e decidiu verter para o português um texto que seguia inacessível ao leitor brasileiro, disponível apenas em italiano e com edições esgotadas em francês, inglês e espanhol. O volume traz prefácio do escritor e professor de Filosofia do Direito Jacy de Souza Mendonça, resenha com olhar de psicanalista da Dra. Franscesca e comentário do escritor e jornalista Irapuan da Costa Junior.
Tarchetti morreu aos 29 anos, com uma sensibilidade capaz de traduzir a psicologia de todas as idades. Fosca prende pelo enredo, encanta pelas figuras de linguagem e sobretudo ensina a entender certos tipos humanos. Se você já viveu uma paixão que não obedecia a nenhuma lógica, este livro foi escrito para você.
Iginio Ugo Tarchetti foi um escritor, poeta e jornalista italiano, considerado um dos mais importantes expoentes da Scapigliatura milanesa. Não conformista e inclinado a fantasias melancólicas e macabras, deixou uma obra breve e intensa, dividida entre novelas, contos e poemas.
Como jornalista, colaborou com as revistas Minima, O Jornal para Todos, A Semana Ilustrada, Il Gazzetti Rosso e Il Pungolo. Chegou a tentar lançar uma publicação própria, o Il Piccolo Giornale, sem sucesso.
Morreu aos 29 anos, idade que torna ainda mais notável a maturidade psicológica de sua escrita. Em Fosca, seu romance mais famoso, Tarchetti demonstra entender a alma humana com uma sensibilidade inacreditável para qualquer idade. A protagonista, personalidade complexa, possessiva e obstinada, tornou-se referência de tipo humano na literatura e chegou ao cinema pelas mãos de Ettore Scola, no filme Passione d'Amore.
Defensor da ideia de que um bom texto não deve pretender ensinar, mas apenas divertir, Tarchetti acabou fazendo as duas coisas: sua ficção entretém e, ao mesmo tempo, ensina a reconhecer certos tipos humanos, com uma sabedoria emoldurada na poesia da linguagem. Sua prosa se sustenta nas três dimensões que definem um grande romance: o enredo, os personagens e as figuras poéticas de linguagem.