Sou libanesa. Nasci em Beirute e cheguei ao Brasil com 6 anos. Como todo imigrante, somos penetras no país que nos recebe. "De que cidade você é?", me perguntavam com frequência. Respondia qualquer coisa: Rio, São Paulo, Porto Alegre, onde havia morado. Quando cheguei a Brasília em 1968, chovia. Os chineses dizem que é sinal de sorte. Acertaram. Ao atravessar o Eixão rumo ao hotel, olhei lá longe. O horizonte sem fim me deu a certeza: quem tem esse infinito à frente, não pode ter limites, é capaz de concretizar os sonhos mais grandiosos. Fui recebida de braços abertos pela UnB, pelas oportunidades de trabalho, por todos que encontrava. "Brasília é uma cidade sem dono", pensei. "Diferente das quatrocentonas pelas quais havia passado." Aqui todos se sentem proprietários da capital que ajudavam a construir. Me casei, tive um filho, que me deu dois netos. Finquei raízes neste planalto de cujas sete maravilhas – o cerrado, as águas, o céu, o Plano Piloto, os monumentos, o paisagismo e o povo – uma sobressai: o brasiliense. Aqui deixei de ser penetra. Ganhei o título de cidadã honorária de Brasília. - Dad Squarisi
Sou libanesa. Nasci em Beirute e cheguei ao Brasil com 6 anos. Como todo imigrante, somos penetras no país que nos recebe. "De que cidade você é?", me perguntavam com frequência. Respondia qualquer coisa: Rio, São Paulo, Porto Alegre, onde havia morado. Quando cheguei a Brasília em 1968, chovia. ...