Era outubro de 1847 quando, em Londres, só se falava sobre Jane Eyre, escrito pelo misterioso Currer Bell (que mais tarde revelou-se pseudônimo de Charlotte Brontë). Acusado de "jacobinismo moral" por advogar pela igualdade, o romance foi fortemente debatido pelo circuito literário, bem como pelos milhares de leitores que conquistou.
A vida de Jane Eyre, pobre órfã condenada a vagar por diferentes casas e famílias até encontrar seu próprio pouso, emociona leitores há mais de dois séculos, versando sobre a educação de uma preceptora e os desafios enfrentados por diferentes mulheres do século XIX, independentemente da posição social em que se encontravam.
Com uma maestria narrativa ímpar sobre poder e conflito, Charlotte Brontë cria aqui um dos romances mais emblemáticos da língua inglesa, que ultrapassa barreiras ao tocar em questões universais e atemporais, como ambição, vingança, diferenças sociais e, claro, amor.
Tradução de Fernanda Abreu.
Introdução de Stevie Davies.
Prefácio de Sandra Guardini Vasconcelos.
CHARLOTTE BRONTË (1816-55) passou a maior parte da vida em Haworth, nos pântanos de Yorkshire, onde o pai era clérigo da Igreja anglicana. A mãe morreu em 1821 e, tendo que completar sua educação quase que exclusivamente em casa, todos os irmãos Brontë sobreviventes se envolveram num rico mundo de fantasia. Charlotte e Branwell, o único homem, colaboraram na invenção do reino imaginário de Angria, e Emily e Anne, na invenção de Gondal. Charlotte escreveu quatro romances: Jane Eyre (1847), Shirley (1849), Villette (1853) e The Professor (o primeiro deles, publicado postumamente em 1857). Emma, um fragmento, foi publicado em 1860.