Raimundo Carvalho Nasci em Pirapora, MG, em 1958. Tendo nascido em suas margens, desde cedo aprendi a amar o Velho Chico como a um irmÃŖo ou parente muito prÃŗximo. Filho do contramestre JosÊ TibÃērcio, passei a infÃĸncia a sonhar com o rio que levava meu pai para longe de casa e que o trazia de volta, apÃŗs longas viagens para Juazeiro, na Bahia. Muitas vezes viajei com ele no vapor, durante as fÊrias escolares, e dessas viagens guardo muitas lembranças e anedotas. AtÊ hoje, quando fecho os olhos, a primeira imagem que me vem, do fundo escuro da minha mente, Ê o Velho Chico correndo sertÃŖo adentro, atravessando as cidades onde nasceram meus pais, tios, primos e avÃŗs. Como o rio dÃĄ muitas voltas, eu tambÊm dei os meus pulos. Cresci e tive de sair do meu quintal para ganhar o mundo. Passei uma boa parte da juventude em Belo Horizonte. Estudei Letras na UFMG e escrevi livros de poemas: Sabor plÃĄstico (1983), CatÃĄbase (1989) e Brinde (1990). Desde 1993, moro em VitÃŗria, ES, e trabalho como professor de Latim na UFES. Desenvolvo pesquisas na ÃĄrea de traduÃ§ÃŖo poÊtica e tenho publicada uma traduÃ§ÃŖo das BucÃŗlicas, de VirgÃlio (2005), alÊm de livros coletivos sobre questÃĩes de poÊtica e traduÃ§ÃŖo. Da janela de minha casa, observo a Ilha do LameirÃŖo, Mestre Ãlvaro ao fundo e a marÊ a ir e vir, cobrindo ou descortinando a lama negra, onde vÃĒm se fartar a garça, o socÃŗ, o urubu e outras aves. Uma densa e sempre verde mata de mangue e o espelho d'ÃĄgua criam a ilusÃŖo de isolamento, de um mundo paralelo em contÃnua metamorfose. Diariamente, me valho dessa paisagem para recriar o meu sertÃŖo imaginÃĄrio. No mar da minha memÃŗria desÃĄgua o Velho Chico.
Raimundo Carvalho Nasci em Pirapora, MG, em 1958. Tendo nascido em suas margens, desde cedo aprendi a amar o Velho Chico como a um irmÃŖo ou parente muito prÃŗximo. Filho do contramestre JosÊ TibÃērcio, passei a infÃĸncia a sonhar com o rio que levava meu pai para longe de casa e que o trazia de volt...