Em "Gaetaninho", um menino pobre sonha com uma realidade distante da sua. Entre brincadeiras de rua, conversas de criança e uma imaginação marcada pelo desejo, o conto acompanha uma fantasia que, pouco a pouco, ganha contornos inesperados e se aproxima de um destino triste.
Em "Carmela", o automóvel surge como símbolo de encanto e distinção. Diante da novidade moderna, a personagem se deixa envolver pelo brilho da cidade em transformação, pelas aparências e pelo desejo de ocupar um lugar diferente naquele mundo que parece avançar depressa.
Em "Armazém Progresso de São Paulo", Natale e sua esposa alimentam o sonho de enriquecer pelo comércio. Entre esperança, esperteza e vontade de subir na vida, o conto acompanha a aposta do casal em um futuro melhor, enquanto revela as ambições simples e humanas de quem tenta encontrar seu espaço na cidade.
Antônio de Alcântara Machado, nome literário de Antônio Castilho de Alcântara Machado d'Oliveira, nasceu em São Paulo, em 25 de maio de 1901, e faleceu no Rio de Janeiro, em 14 de abril de 1935. Escritor, jornalista e cronista, foi um dos nomes ligados à primeira fase do modernismo brasileiro.
Começou a escrever para a imprensa ainda jovem e atuou como redator e crítico teatral no Jornal do Comércio. Sua escrita aproximou a literatura do ritmo das ruas, das notícias e da fala cotidiana, com atenção especial às transformações urbanas de São Paulo.
Seu livro de maior repercussão, "Brás, Bexiga e Barra Funda", reúne contos sobre a vida de imigrantes italianos e ítalo-brasileiros nos bairros paulistanos. Também participou de revistas importantes do modernismo, como a "Revista de Antropofagia", consolidando uma obra breve, mas marcada pelo humor, pela oralidade e pela observação social.