Diante do desconcerto coletivo, Assis — chefe de sua assessoria e quem narra a história — assume a tarefa de administrar patrocinadores, admiradores, críticos e o crescente desespero em torno do silêncio de Zaratustra. Com a convicção de que a mensagem de Zara ainda precisa existir no mundo, começa a publicar textos fingindo ser Zaratustra. O que surge inicialmente como contenção de crise transforma-se, pouco a pouco, numa elaborada farsa discursiva.
Narrado em primeira pessoa por uma voz profundamente irônica, contraditória e sedutora, Assim calou Zaratustra dialoga com a tradição do narrador não confiável da literatura brasileira, aproximando-se da herança machadiana para explorar questões contemporâneas como performatividade social, autenticidade, construção de imagem pública, excesso de informação, manipulação simbólica e a fragilidade das verdades coletivas.
Entre bastidores de eventos, redes sociais, pressões públicas e expectativas messiânicas, Assis conduz o leitor por uma narrativa marcada por humor ácido, crítica social e ambiguidades morais constantes. Em um mundo saturado de discursos, o silêncio de Zaratustra passa a ser tão perturbador quanto as palavras que outros decidem colocar em sua boca.
Assim calou Zaratustra, reinventando a personagem de Nietzsche, é um romance literário brasileiro contemporâneo sobre silêncio, discurso, identidade, uma reflexão literária sobre linguagem, necessidade de esperança e os mecanismos pelos quais indivíduos e sociedades constroem sentido em tempos instáveis.
Indicado para leitores de:
literatura brasileira contemporânea;
romance psicológico;
ficção filosófica;
narradores irônicos e não confiáveis;
literatura de ideias e crítica social.
Além Santos é escritor, matemático formado pela USP e diretor de comunicação da Academia Literária de São Carlos (ALSCar). Atua na promoção da literatura e da leitura por meio de eventos, clubes de leitura, palestras, feiras e projetos culturais voltados à circulação da literatura brasileira contemporânea.
Sua produção literária transita pela ficção literária, pelo romance psicológico e pela literatura de ideias, frequentemente explorando temas ligados à linguagem, identidade, relações sociais e aos impasses do mundo contemporâneo. Em suas obras, destacam-se narrativas marcadas por ironia, crítica social e interlocução direta com o leitor.
Autor de livros publicados de forma independente, também desenvolve projetos de formação de leitores e ações culturais voltadas ao fortalecimento da cena literária local e regional.
Em Assim calou Zaratustra, reúne influências da tradição do narrador não confiável da literatura brasileira com reflexões contemporâneas sobre poder, performatividade, silêncio e construção de vozes públicas, tudo em uma inovadora intertextualidade com a filosofia de Nietzsche.