Um garoto é preso ainda adolescente por fazer uma pichação em protesto à ocupação. Uma garota também escreve como forma de resistência, mas suas palavras são rapidamente apagadas. Anos depois, seus caminhos seguem por direções distintas, enquanto a vigilância permanece presente nos lugares por onde passam, nas relações que estabelecem e nas palavras que escolhem — ou não — dizer.
À medida que essas vidas se transformam, a natureza parece guardar o que não pode ser dito em voz alta. O vento carrega sinais, os animais observam, as oliveiras e as laranjeiras nos campos permanecem. A paisagem, feita de areia, ruínas e pomares, se torna uma espécie de memória viva, onde cada detalhe pode trazer de volta aquilo que parecia perdido.
Com uma escrita rigorosa e profundamente sensorial, Shibli transforma paisagens, animais, sotaques e objetos cotidianos em elementos de uma narrativa sobre apagamento e pertencimento.
Adania Shibli nasceu na Palestina, em 1974. Seus primeiros dois romances receberam o prêmio de jovem escritor da A. M. Qattan Foundation. Com Detalhe menor, também publicado pela Todavia, figurou na lista de melhores livros traduzidos do National Book Award e foi finalista do International Booker Prize. Vive entre Jerusalém e Berlim.