Em "O Miantonomah", incluído em "Prosas bárbaras", o encouraçado norte-americano Miantonomah chega a Lisboa e logo desperta a curiosidade da cidade. Ancorado no porto, o navio se impõe pela presença recente e incomum, atraindo olhares e reunindo pessoas interessadas em observar de perto a embarcação estrangeira.
Aberto à visitação, o Miantonomah passa a receber um fluxo constante de visitantes. Homens, mulheres e curiosos se aproximam do navio, circulam por suas áreas acessíveis e comentam o que veem. A movimentação ao redor da embarcação cresce dia após dia, e o porto se transforma em ponto de encontro para quem deseja conhecer o encouraçado.
Enquanto o Miantonomah permanece ancorado, sua presença passa a fazer parte da rotina da cidade. As visitas se sucedem, a circulação continua intensa e o navio permanece no centro da atenção lisboeta até o momento de sua partida, encerrando o período em que esteve integrado ao cotidiano do porto.
Eça de Queirós (José Maria de Eça de Queirós) nasceu em Póvoa de Varzim, Portugal, em 25 de novembro de 1845, e faleceu em Neuilly-sur-Seine, França, em 16 de agosto de 1900. Escritor e diplomata, é considerado um dos principais nomes da literatura portuguesa do século XIX. Sua obra abrange romances, contos, crônicas e textos de observação social, marcados por ironia, rigor estilístico e atenção aos comportamentos humanos.
Entre seus livros mais conhecidos estão Os Maias, O Primo Basílio e A Relíquia. Sua escrita influenciou decisivamente a prosa moderna em língua portuguesa, mantendo relevância ao longo do tempo pela capacidade de dialogar com diferentes épocas e contextos históricos.