Em 1922, Virginia Woolf publicava seu terceiro romance, considerado pela crítica um ponto de inflexão na sua carreira. Em O quarto de Jacob, o personagem-título é a presença de uma ausência. Da infância na praia à juventude em Cambridge, sua personalidade é entrevista por mulheres que atravessam sua vida, da mãe a uma namorada.
Este romance sinaliza o momento em que Virginia Woolf abandonou dispositivos realistas e abraçava — não sem ressalvas — a influência do modernismo de James Joyce, que lançava Ulysses naquele ano.
O tempo se dilata na narração de Woolf, que fornece instantâneos impressionistas, enquanto o leitor busca discernir os contornos. Uma experiência fragmentária que mostra as possibilidades da linguagem e da literatura, recuperada com esmero pela tradução de Paulo Henriques Britto.
VIRGINIA WOOLF é hoje considerada uma das maiores escritoras do século XX, grande romancista e ensaísta, bem como figura de destaque na história da literatura como feminista e modernista. Seu primeiro romance, A viagem, foi publicado em 1915; depois, ela trabalhou no livro de transição Noite e dia (1919), até chegar ao romance altamente experimental e impressionista intitulado O quarto de Jacob (1922). A partir de então, sua produção ficcional tomou a forma de uma série de experimentos brilhantes e extraordinariamente variados, cada qual buscando um novo modo de apresentar a relação entre vidas individuais e as forças da sociedade e da história.